
Que caminho é esse a qual chamamos vida, que nos traciona ao mais forte furacão, geralmente bem ao seu olho, ao seu centro, e depois nos amanhece na mais pura calmaria, conservando na mente o torpor da ventania, mas o silêncio da paz.
Eu leio política e me enfervesço; Leio receitas e quero cozinhar para amigos, família, amor; Leio sobre educação e quero escrever uma tese, compor com os militantes uma empreitada, pensar uma fórmula que dê certo, mas que não dependa de governo algum, que antes de tudo, seja feita pelas bases, e apareça; Leio sobre alimentação natural e quero mexer na terra e fazer meu plantio, e aguardar feliz, para comer os frutos de minha semeadura.
Na verdade, eu queria transformar o mundo que vivo, mas o mundo que vivo, sou eu.
As vezes eu não consigo alterar a ordem do que quero, outras vezes me surpreendo com o tamanho da transformação que eu sucedi.
É incrível perceber que, quando se quer muito uma coisa, ela foge assustada, como se nosso desejo fosse algo opressor... e bem pode ser mesmo, não somos o outro pra saber o que significa ver nossa vontade vindo de encontro com o objeto de nossa cobiça.
No entanto, eu aprendi que deixar seguir o curso das coisas na vida, é também conseguí-las.
Porque existe a ansiedade de supor, e a de pressupor, e em ambas a nossa função é querer que algo aconteça, mas controlar o acesso a essas coisas, não... não temos como.
Ou elas acontecem, ou não.
Existe uma força motriz por trás dessa vontade de que algo aconteça, mas ela é por si tranformadora, tanto que no caminho é que percebemos o que está nos acontecendo.
O Gil diz isso tão lindamente, na música "Drão":
Gilberto Gil - Drão...




0 comentários:
Postar um comentário